E SE EM 2009...
.

Falta apenas a assinatura de Medvedv. Não será de estranhar, portanto, que este, em breve tempo, apresente a sua demissão, se proceda a novas eleições, invertam-se os cargos e eis o triunfo de Putin como César da grande Rússia.
Sendo assim, com a subida ao poder de Barack Obama - dentro de um outro estilo, obviamente – e um Putin talvez mais correcto no respeito das regras democráticas, ou até mesmo com a grande ambição de passar à história como um político dotado de grande sageza, poder-se-ia criar e ampliar um sonho. Vejamos.
E se em 2009, estes dois condottieri de dois grandes países decidissem caminhar, lado a lado, sem rivalidades de potência ou nacionalismos; sem apetites de zonas de influência; sem predilecção por jogos de política suja; sem tolerância ou simpatias veladas por regimes, onde a defesa dos direitos democráticos é hostilizada e a vida humana não tem o mínimo valor; sem alimentar a supremacia de distribuir armamentos a esmo, indiferentes à proveniência do dinheiro que os compra ou aos fins a que são destinados?
A estes dois líderes, nesta marcha da boa vontade, seria aconselhável, muito aconselhável, convidar e entusiasmar Hu Jintao.
Fantasias de uma passagem de ano!
****
Mas insistamos nessas fantasias.
E se em 2009, as diversas crenças religiosas iniciassem uma nova era – os grandes eventos devem sempre começar ou fermentar em qualquer data - e seguissem a voz dos sábios que tudo pesam com a balança do bom senso, harmonia e tolerância?
Eles bem apregoam que há muitos caminhos de chegar até Deus; que há muitos modos de interpretar a Sua existência.
Desgraçadamente, poucos querem aceitar esse grande princípio. Não convém às teologias que atravessaram séculos e às doutrinas que alimentam hierarquias, poderes.
Os crentes têm o direito de pensar que o caminho que lhes foi ensinado é o mais certo, o mais justo. Mas já não têm o direito de condenar caminhos diferentes ensinados a outrem.
Torna-se desolador verificar que todos os credos proclamam que as próprias almas são as mais puras.
Em nome dessa pureza, nascem os fundamentalismos e, nestes, a intolerância, por vezes reforçada com o ódio.
Assim, massacres, destruição, discriminações e perseguições são os efeitos a que nos querem habituar.
Mas não divaguemos sobre o impossível e apelemos ao novo ano que se aproxima.
Dois mil e nove: vê se metes juízo na cabeça desta humanidade insaciavelmente ávida, frequentemente estúpida, irritantemente presunçosa e intolerante, irresponsavelmente agressiva na sua infinita litigiosidade.
Em trezentos e sessenta e cinco dias podes fazer muito. Por exemplo, atenuar ou mesmo resolver os graves conflitos em curso. Começa por estas grandes mazelas do mundo. Se as conseguires lenir, só por este facto, ficarás na história como um ano extraordinário que jamais se poderá esquecer.
Alda M. Maia