segunda-feira, fevereiro 27, 2017

 ENTRE A INSENSATEZ E DESPAUTÉRIOS

E assim vivemos no mundo actual: a insensatez predomina; os despautérios são expressos com a máxima naturalidade e em posições onde seriam exigidos equilíbrio e bom senso. 
Mas o equilíbrio e bom senso quem os viu? Será que se tornaram apanágio exclusivo do cidadão comum e desertaram dos centros de poder ou de entidades responsáveis?

Nestes últimos dias, olho para a Itália e vejo o partido mais votado e partido de governo, o Partido Democrático (PD), em lutas intestinas.
Matteo Renzi, o secretário do partido e ex-primeiro-ministro, tornou-se o pomo da discórdia. Justa ou injustamente? Dada a sua apetência pelo egocentrismo – e talvez um pouco de egolatria - certamente que irrita muitos colegas, sobretudo da velha guarda. Houve cisões, sucedeu o que mais se temia, isto é, secessões no partido.

Eram inevitáveis? Não creio. Um pouco mais de humildade e poder dialogante do Sr. Renzi, creio que atenuariam discórdias e secessionismos latentes. Paralelamente, os que se afastaram tudo deveriam ter feito para manter o partido íntegro. Assim, eis o resultado de uma grande ausência: o bem senso.

Se virarmos agora a atenção para o outro lado do Atlântico, impõe-se a América de Trump e, aqui, a insensatez bate todos os recordes. E não só a falta de bom senso, mas o despautério (disparate grande, contra-senso, desconchavo) tornou-se moeda corrente. Quando aquele homem (o Sr Presidente dos Estados Unidos) abre boca, torna-se forçoso recorrer ao velho ditado: “… ou entra mosca ou sai asneira”. Mas como às moscas, ali, não é permitido habitar, desgraçadamente sai asneira.
Aumentar o arsenal nuclear para fazer dos Estados Unidos o país mais potente entre todas as nações que possuem a atómica. Os Estados Unidos não cederão a supremacia sobre os armamentos”.
Arrepiante ouvir estes desconchavos. Aonde podem conduzir? Ademais, tudo isto soa como provocações a outros países, como a Rússia. É salutar para a paz mundial?

A maioria do povo americano está surda? Na Califórnia ”sonha-se a secessão da América de Trump”. Algo quase impossível, mas as demonstrações contra um presidente, tão mal escolhido, sucedem-se.

A piorar a situação, este mesmo presidente resolveu declarar guerra aos meios de comunicação que ousem ocupar-se de factos ou de notícias que o coloquem sob luz negativa. Não contesta com a verdade ou esclarecimentos objectivos. Como tem demonstrado grande facilidade em dizer mentiras, é com grande naturalidade que Mr. Trump não hesita em chamar mentirosos aos outros; neste caso, aos jornalistas. E não hesitou em excluir correspondentes de vários meios de comunicação de referência, como CNN, BBC, New York Times e outros, da conferência de imprensa na Casa Branca.
Uma decisão que ultrapassa o admissível. Tanto mais, no país onde, praticamente, sempre reinou a democracia. Insisto: o povo americano aceita este desafio sem precedentes e não reage?

Mas deixemos Trump aos seus desvarios. Quiseram-no como presidente? Não penso que a América mereça um incompetente daquele jaez, mas aturem-no e procurem limitar, dentro da legalidade, os desconchavos que, no dia-a-dia, vai exteriorizando. 

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

“OS TERRORISTAS NÃO VÃO PARA O PARAÍSO”

Tahar Ben Jelloun

Já não é a primeira vez que, neste blogue, dedico o meu texto ao escritor marroquino que vive em França, Tahar Ben Jelloun.
Se antes aludi ao livro deste autor, “O racismo explicado à minha filha”, hoje traduzo a mensagem que Ben Jelloun endereçou às crianças sobre o terrorismo islâmico (publicada no jornal italiano La Stampa).

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 Quero explicar que o Islão não predica violência e que esta mensagem deve chegar às escolas dos nossos filhos.

Após o dia 13 de Novembro 2015, a noite da tragédia do Bataclan que fechou com 130 mortos e 413 feridos, pensei nas famílias que perderam os seus entes queridos. Para além da dor e do luto, para além do horror, disse a mim mesmo: «um pai como poderá explicar ao filho que a sua irmã ou o seu irmão morreu, indo a um concerto? Como enfrentar o tema do terrorismo e dos que o praticam, os terroristas? Como escolher as palavras adequadas e dizer a verdade?

Reflectindo sobre o assunto, concluí que o terrorismo não é um fenómeno novo. Existiu desde sempre e foi utilizado como arma de chantagem para difundir o medo e o pânico. Por este motivo, contei a história do terrorismo, a partir da revolução francesa até aos nossos dias.
Os actores e as motivações mudam, mas os métodos são sempre os mesmos, embora actualmente com qualquer coisa de novo: o recurso aos media às redes sociais network que fazem viver os eventos no imediato e em directa.

Às crianças é necessário dizer a verdade. Mentir, escondendo-lhes a realidade dos factos com receio de transtorná-las ou de traumatizá-las é uma escolha errada. Cedo ou tarde, a verdade chegar-lhes-á. Logo, é melhor prepará-las no momento em que as coisas acontecem. Acabou o tempo no qual as crianças eram protegidas, sinónimo de doçura e alegria. Hoje, imagens de todos os tipos invadem o nosso espaço, seja na rua ou em casa, na televisão ou no ecrã do nosso computador. A Internet vem procurar-nos e encontra-nos. As novas tecnologias abalaram a percepção do mundo e confundiram-na com o virtual, acabando por tomar o lugar da realidade.

Tudo isto os terroristas do Estado Islâmico sabem-no bem e exploram-no com eficácia. As coisas mais difíceis de explicar às crianças, quando se fala de terrorismo, são as motivações destas pessoas. Como fazer compreender a uma criança que o instinto de vida e de conservação se transforma em instinto de morte? Como expor-lhes o famoso «paraíso» que os terroristas apresentam aos jovens que recrutam para a Jihad?

Apercebi-me que era preciso recuar às origens do Islão e reconstruir como algumas pessoas interpretam a palavra de Deus. As crianças, todavia, não podem absorver todas estas informações históricas. É necessário simplificar, tornar claro o que é complexo, ir ao essencial. Dizer-lhes, por exemplo, que as religiões, frequentemente, foram utilizadas pela gente por razões erradas. Pode-se fazer dizer às religiões o que se quer. No livro, a este propósito, dou alguns exemplos para cada uma das três religiões monoteístas. Deve-se evitar que as crianças sobreponham Islão e terrorismo e recordar-lhes um verseto importante do Corão: «Aquele que mata um inocente mata a humanidade inteira».

Iniciei a escrever este livro depois de ter explicado o racismo e, num segundo tempo, o Islão. Fiz um trabalho pedagógico preciso, feito de verificações e num estilo que estivesse ao alcance de todos.
Estas experiências levaram-me a centenas de escolas no mundo, onde estes livros foram traduzidos. Apercebi-me que todas as crianças se assemelham, seja qual for o lugar de origem. Mais ou menos, todas formulavam as mesmas perguntas.
Quando sucedeu o ataque a Charlie Hebdo e, depois, à loja Kosher em Vincennes, em 07 de Janeiro 2015, não somente senti horror, mas fiquei mesmo sem palavras. Já não sabia mais que dizer, o que fazer. Perdi dois amigos entre os humoristas de Charlie: Wolinski e Cabu que conhecia de há 35 anos. 
“A perturbação e depois a impotência das famílias precipitaram-me num desencorajamento que me desconcertava. Em seguida, novos ataques, em plena Paris, com muitas dezenas de mortos, alguns dos quais de confissão muçulmana. Compreendi a mensagem: os terroristas queriam atacar o estilo de vida dos franceses. Depois de ter «punido» a liberdade de expressão, quiseram matar os que, num sábado à noite, se divertiam. Foi então que decidi ir escavar na história e na psicologia, a fim de compreender – ou, pelo menos, procurar compreender – as origens deste fenómeno que não tem precedentes, nem no Islão nem na história do mundo árabe.

Às crianças que encontrei nas escolas, disse quanto este terrorismo fosse incompreensível e absolutamente injustificável. «E então por que existe?», perguntavam elas.
Sem entrar na filosofia niilista ou na ideologia do sacrifício, procurei demonstrar quanto o que sucede seja difícil de compreender. Em seguida, disse que, na história, frequentemente, houve pessoas que exprimiram a própria revolta contra a sociedade, provocando pânico e morte entre cidadãos inocentes. Expliquei-lhes também quanto o mundo árabe (e muçulmano) seja atravessado por crises profundas e como a maior parte dos governantes não tenha sido democrática nem tenha respeitado os cidadãos.

“Porquê a França, a Bélgica, a Alemanha? Porque ali vivem os filhos dos imigrados, vindo do Magrebe, que não se adaptaram à vida europeia. A cultura escassa, as fragilidades familiares permitiram aos recrutadores da Jihad convencê-los a mudar vida e escolher a morte que lhes garante o ingresso no paraíso, onde serão recompensados pelos seus sacrifícios.
Também lhes dizem: «No Ocidente, na vossa vida não vos realizastes; com a Jihad realizar-vos-eis com a morte e tereis uma vida decididamente melhor»Tahar Ben Jelloun - La Stampa, 16 / 02 / 2017 

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

O TEMA QUE SEMPRE DEVERIA CAPTAR
A ATENÇÃO DE TODOS OS PORTUGUESES

Mas o tema a que me refiro navega, e sempre navegou, em pleno mar de indiferença da população portuguesa - obviamente, com as devidas e não poucas excepções - e ainda bem.
No que me concerne, e este blogue é disso testemunha, este é um assunto de grande envolvimento, pois abrange um património nacional que respeito, estudei, estudo e jamais se afastaria do meu interesse e perseverança em cultivá-lo. 
Estou a referir-me ao nosso idioma, a nobre língua portuguesa que foi usada como mercadoria de acordos por aqueles a que chamaram, muito acertadamente, “comerciantes de palavras”, com a ratificação da Assembleia da República.

“O presidente da Academia de Ciências de Lisboa, Artur Anselmo, vai hoje (dia 07 / 02 / 2017) à Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto defender que o Acordo ortográfico de 1990 (AO90) deve ser revisto e melhorado e que é possível fazê-lo sem rasgar o tratado internacional que o sustenta…” – jornal Público – Luís Miguel Queirós.

Este tratado internacional abrange a Comunidade dos países de língua portuguesa (CPLP), mas Angola ainda não o ratificou. Que finalidade pretende atingir? Não me falem da unificação linguística, porque esse argumento é capcioso, portanto, digno de desprezo.
 Existem as inevitáveis diferenças linguísticas regionais e nacionais; o português do Brasil é o exemplo cabal deste fenómeno.

Rever e melhorar, mas que partes das anomalias que impuseram, quando se trata, precisamente, de anomalias que abastardaram a origem e evolução desta língua românica que é o português?
Onde esteve, por exemplo, o cuidado com os fenómenos fonéticos do português de Portugal? Cortando as consoantes diacríticas, desprezaram esses fenómenos que caracterizam a nossa pronúncia. É esta uma das facetas que deve ser revista? Resposta: não deve ser revista, mas eliminada. E comecem por aí.

Certamente que a Academia de Ciências de Lisboa não tem a mínima responsabilidade sobre um acordo tão estúpido quanto inexplicável. Como entidade que deveria ter sido ouvida em primeiro lugar, a Academia das Ciências nem sequer foi consultada. Por aqui vemos a arrogância e ignorância da certa classe política que deu plena aprovação a uma iniciativa que nos descaractirizava e diminuía.
E essa arrogância permanece e manifesta-se, embora com amplas excepções.

Exprimo o que muito desejaria fosse possível efectuar-se: o cancelamento do Acordo e deixar a ortografia oficial como era antes deste devaneio linguístico. Na Assembleia da República, se existem os semi-ignorantes da língua materna, que estudem bem a sua origem e evolução. No futuro, seriam poupados ao País e ao seu património ofensas deste género.

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

ALARME LÍNGUA ITALIANA:
ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS

Traduzo a notícia lida no jornal La Repubblica – 04 / 02 / 2017 - sobre a carta que 600 docentes universitários enviaram para o Governo italiano, denunciando a “carência linguística dos estudantes”.

Mas sucederá apenas na Itália? Dou um exemplo: escutando o que exprime a nossa classe política que, na sua grande maioria, tem um curso superior, frequentemente somos auditores de algumas calinadas. Quando se trata, então, da aplicação, devida, do presente do conjuntivo, este tempo verbal é sacrificado sem a mínima consideração – “Torna-se urgente que consideramos… “
Mas viremo-nos para a Itália e vejamos o que diz Gerardo Adinolfi sobre este documento invulgar.

Muitos estudantes escrevem mal em italiano; servem intervenções urgentes”. É o conteúdo da carta que mais de 600 docentes universitários, académicos da Crusca*, históricos, filósofos, sociólogos e economistas enviaram ao Governo e ao Parlamento para solicitar «intervenções urgentes», a fim de remediar as carências dos seus estudantes.
“Tornou-se bem claro que, de há muitos anos, no fim do percurso escolar, muitos jovens escrevem mal em italiano, lêem pouco e têm dificuldade a exprimir-se oralmente” – lê-se no documento que partiu do grupo de Florença para a escola do mérito e da responsabilidade. Foi assinado, entre outros, por Ilvo Diamante, Mássimo Cacciari, Carlo Fusano e Paola Mastrocola.

“De há tempos – continua a carta – que os docentes universitários denunciam a carência linguística dos seus estudantes (gramática, sintaxe, léxico), com erros apenas toleráveis no terceiro ano elementar.
Na tentativa de encontrar um remédio, chegaram mesmo a activar cursos de recuperação da língua italiana”.

Segundo os docentes, o sistema escolar não reage em modo apropriado, “visto que o tema da correcção ortográfica e gramatical foi, por longo tempo, desvalorizado sobre o plano didáctico”. 
Existem algumas iniciativas importantes dirigidas à actualização dos professores, mas – faz-se notar – não se vê uma vontade política adequada à gravidade do problema.

Pelo contrário, temos necessidade de uma escola verdadeiramente exigente no controlo das aprendizagens, além de mais eficaz na didáctica, pois de outra maneira nem o empenho dos professores nem a aquisição de novas metodologias seriam suficientes”.

Na carta indica-se, portanto, uma série de pormenorizadas linhas de intervenção para chegar, “no fim do primeiro ciclo de estudos, a um suficiente domínio dos instrumentos linguísticos de base, por parte de uma grande maioria dos estudantes”. (…)

Nos comentários dos docentes a esta carta, lê-se: Cerca de três quartos dos estudantes do curso superior trienal são, de facto, semianalfabetos. É uma tragédia nacional não perceptível pela opinião pública, pela imprensa e, naturalmente, pela classe política …

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*”Academia da Crusca (Accademia della Crusca) é uma instituição italiana que reúne estudiosos e especialistas de linguística e filologia da língua italiana. Representa uma das mais prestigiadas instituições linguísticas de Itália e do mundo”.

Se a nossa Academia das Ciências de Lisboa se equiparasse a esta instituição linguística italiana, jamais teríamos a indecência do famigerado Acordo Ortográfico 1990. 

segunda-feira, janeiro 30, 2017

OS CONTRA-SENSOS IMPERAM
AOS SENSATOS A PALAVRA

Sensatez, por onde andas? Nos tempos actuais, os dislates, os despautérios, as parvoíces são as plataformas onde assentam os discursos e as intenções dos grandes da terra.
E com qual desenvoltura as proclamam, perante multidões! A este ponto, e usando vocábulos terra-a-terra, podemos dar voz ao que pensamos e acenar às burrices de bestas humanas que caracterizarão o 2017?

A primeira burrice… perdão, apenas quis dizer contra-senso. Pois bem, este primeiro contra-senso alberga-se na corrente de “trumpadas” que desabaram sobre a América e diz respeito à elevação de um muro nas fronteiras com o México. Com o pretexto de bloquear imigrações indesejadas, decidiram construí-lo sem consultar o governo mexicano nem pedir conselhos a ninguém. Entretanto, porém, os mexicanos deverão pagar o custo das obras.

Pergunta óbvia: isto é arrogância desmedida ou uma desmesurada estupidez?! A resposta é simples: ampla estupidez aliada a uma arrogância indigna do país donde provém.
O México reagiu e, como seria de esperar, naquele país desencadeou-se uma onda de antiamericanismo. Até onde chegará tudo isto?

Mas, infelizmente, os dislates subseguem-se e, sexta-feira passada, o estreante Presidente dos Estados Unidos assinou uma ordem executiva que não é somente indigna, mas também repugnante.
“Como protecção das nações contra o ingresso de terroristas estrangeiros”, essa ordem executiva proíbe a entrada de cidadãos provenientes de sete países muçulmanos: Irão, Iraque, Líbia, Síria, Somália, Sudão e Yémen

Muitos desses cidadãos iam a caminho da América com a devida autorização para a entrada no país.
Várias dezenas ficaram retidas nos aeroportos de Nova York, Chicago, Los Angeles e outros, com a ameaça de serem repatriadas.
A juíza federal de Brooklyn, Ann M. Donnelly, interveio e impediu as deportações, fruto de uma ordem executiva demolidora da uma tradição sempre ancorada a uma democracia acolhedora e inquestionável. Outros juízes federais assumiram idêntica iniciativa.  
                                  
Para os sírios é proibida a entrada até novas ordens; para os demais países a proibição durará 90 dias.
Moral da história: como são países muçulmanos, os seus cidadãos devem ser discriminados. Logo, os muçulmanos não podem ter acesso aos Estados Unidos da América.
Que pensam aqueles muçulmanos que, de há gerações, são cidadãos americanos? Protestam, obviamente. Aliás, os protestos contra mais esta aberração de Mr. Trump ecoaram pelo mundo. Oxalá que a sociedade internacional não desvie os olhos desta nova realidade americana, reaja sempre que necessário e sem ambages.

Se continua por este caminho que, em fim de contas, prejudica o próprio país em primeiro lugar, a América deve pôr travão a este demagogo.

Felizmente, o povo americano começa a vir para a rua e demonstrar que o labrego que elegeu é uma anomalia, sórdida, na essência da sua identidade nacional.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

TERESA MAY, DONALD TRUMP:
OS DOIS PARCEIROS NA DEMAGOGIA

Se não fosse a expressão ridícula de Trump, assemelhar-se-iam... na petulância

Quase me fugia a mão para escrever: “Os dois parceiros da estupidez”. Não é o caso, porque não são estúpidos. São aquilo a que se poderia chamar: dois finórios navegando na política. E aqui reside o desagrado e desconfiança nestes dirigentes de dois países ocidentais de relevância mundial.

Teresa May, primeiro-ministro do Reino Unido e aplaudente do Brexit, assegura que o seu país terá “um futuro global fora da EU”. Paralelamente, ameaça que a saída britânica da União Europeia deve efectuar-se dentro de normas favoráveis à Grã-Bretanha ou seja: manter as vantagens de mercado livre, assim como do sector financeiro dentro da União, mas ficando fora das regras europeias e do Tribunal de Justiçada da UE.
E se assim não for, Teresa May ameaçou: “Sem o acordo de Bruxelas tornar-nos-emos num paraíso fiscal”.

Que um primeiro-ministro responsável e competente ameace, com tanta desenvoltura, a criação de um paraíso fiscal nno seu país se os factos não coincidirem com as suas pretensões, a Grã-Bretanha deveria ter vergonha dos dirigentes que elege. Excessiva arrogância, inteligência limitada. Para esta Senhora, por exemplo, a evasão fiscal seria fenómeno de secundária importância.
Há países do Reino Unido, como Escócia e Irlanda do Norte, que não concordam com o Brexit, mas Londres ignora-os. E cito Enrico Franceschini:
“E a Brexit, além de pôr a Grã-Bretanha fora da União Europeia, poderia tornar a Grã-Bretanha muito menos grande”   

Tenho a impressão que a nossa Europa debate-se com um problema grave: a escassez de políticos hábeis e competentes. A mediocridade reina; os carreiristas abundam; os bons políticos são marginalizados.
Quando votamos, raramente nos detemos a procurar informações concretas sobre os candidatos, sobretudo no que concerne seriedade e competência políticas; aptidão para os cargos que pretendem ocupar. Somos levados mais pela simpatia do que por uma análise objectiva?

E com esta interrogação chegamos ao actual Presidente dos Estados Unidos, o Sr. Donald Trump.
Continuo, sempre, a perguntar: como é possível votar, para um cargo de tal importância, um indivíduo com as características de Mr. Trump!
Por muitas imagens e reportagens que siga sobre este Senhor Presidente, a minha antipatia não diminui. Seja a cara do homem, sejam os seus modos, as suas palavras, as suas atitudes de neopresidente, nada serve para atenuá-la.
Ademais, detesto pessoas, sobretudo as que pretendem assumir responsabilidades, que hoje dizem uma coisa e amanhã o contrário; que hoje acusam e amanhã desmentem. Gente sem carácter. Mas que esperar de um rústico daquele género?

É possível que a consideração que me merecia Obama dificulte o apreço pelo sucessor. Mas não creio. O homem apresenta-se-me como um grosseiro ignorante e presunçoso nos seus milhões de dólares

Li várias análises do discurso da tomada de posse. “Discurso populista e xenófobo”, um dos muitos títulos de imprensa. Ouvi-o em directa com uma esplêndida tradução simultânea. Recordei alguns alunos que tive, os quais já escreviam com fluência, mas as ideias, porém, ainda eram limitadas, embora abordassem os temas que eu explicara. O discurso de Mr. Trump fez-me evocar muitas dessas redacções.

“América first”. Óbvio. Nem outra coisa se espera de um presidente dos Estados Unidos. Deveria, porém, ter tido mais cuidado com a escolha da gravata, vermelha e longa, qual estandarte ao vento e, vejam só o caso: made in China.
Que bela gargalhada do povo chinês!

segunda-feira, janeiro 16, 2017

VÁRIOS TIPOS DE PIRATARIA NO WEB

Sobre este tema, impõe-se a acção dos hackers russos, nas últimas eleições americanas, tentando prejudicar a candidatura de Hillary Clinton em benefício de Donald Trump. “Putin ordenou a influência no voto”.

A prova foi apresentada, num relatório de 50 páginas, pelas agências dos serviços secretos americanos: Central Intelligence Agency, Federal Bureau of Investigation, National Security Agency.
Os chefes das três agências dizem que “Putin e o governo russo manifestaram uma clara preferência pelo presidente eleito Trump: “A acção dos hackers não teve algum efeito no resultado das eleições”.
As tentativas russas de influenciar as eleições presidenciais USA, em 2016, representam a expressão mais recente do desejo de longa data de Moscovo, a fim de minar a ordem democrático-liberal dos Estados Unidos.
Uma significativa escalada no nível de actividades, finalidades e esforços em relação a precedentes operações do Kremlin.

Perante este testemunho, não há razões para dúvidas e, obviamente, uma manifesta ausência de aspectos tranquilizantes.
Consideremos eleições num país da União Europeia. Se este país não souber criar um serviço eficaz de cibersegurança, corre o risco de ver os seus eleitores manipulados por intervenções perigosas, sobretudo no que concerne a clareza e legitimidade democráticas, paralelamente à competência e seriedade dos candidatos. De mal-intencionados, neste mundo, nunca se notou a ausência.
Também tentaram penetrar, em Itália, “nos server da aeronáutica militar, os mesmos que conservam os segredos dos F35”, mas nada alcançaram.

O Secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, declarou, numa entrevista, que não é aceitável a intervenção alheia nas eleições de um qualquer país. Verdade sacrossanta. Espero que tais intervenções sejam sempre classificadas como actos infames, indignos de um país civilizado e cioso da própria honorabilidade. O contrário é única e exclusivamente lixo.   

Assegurou que a NATO tem sido incansável no melhoramento da cibersegurança da organização, “apoiando os seus membros com equipas de especialistas se estes forem vítimas de ciberataques”.

De “hackeragem”, ciberataques a entidades de relevância, passemos a outro tipo de pirataria ou usurpação.
Refiro-me a usurpação ou modo incorrecto de dispersar publicidade em espaços do WEB que nada têm que ver com as relativas empresas e que, consequentemente, não lhes pertencem. Logo, mercê destes péssimos hábitos, sentimo-nos autorizados a classificar estas publicidades, não reclamadas nem autorizadas, como atitudes muito incorrectas, triviais e selvagens. Melhor dizendo: indignas de nome que pretendem expandir, dos produtos que querem publicitar.

No meu computador e no espaço deste blogue, surgem intromissões de três empresas com publicidade pirata: a casa de vendas online GearBest, a editora italiana Feltrinelli; a empresa de café italiana Lavazza.
Instalam-se, ocupam a página fraudulentamente – uso este termo, pois que a má-fé vê-se na ausência da cruz no canto direito ou esquerdo, qual sinal para apagar o intruso. Cada uma destas empresas entende que tudo lhes é permitido. Não, não é.

Espero poder expulsar intrusos que não convidei. Não creio que empresas com uma administração séria jamais seriam capazes de abusos deste género. Deduzo, portanto, que a seriedade passou por ali e fugiu. Incompatibilidades? Fale quem souber. Quanto à minha opinião, já a expressei. Mas repito-a: a publicidade destas três empresas não alberga o mínimo princípio de correcção e seriedade.