O CALVÁRIO DOS
MIGRANTES

No gueto líbio dos traficantes de homens: a foto do horror
Na contínua imigração dos povos que afluem à Europa, quanto sofrimento e quantas agruras devem enfrentar antes de pôr pé em solo europeu! O primeiro país onde a maior parte destes migrantes desembarca é a Itália, obviamente.
Num artigo de
Francesco Patanè e Alessandra Ziniti, tomemos conhecimento dos amargos testemunhos
de setes destes desafortunados migrantes.
“No gueto líbico dos traficantes de homens: a foto do horror. É caça ao
feroz general Alì.
“Em sete, saídos
vivos do Gueto de Sabha, a prisão mais assustadora dos traficantes de seres
humanos na Líbia, tiveram a coragem de colaborar com a polícia e a magistratura
italianas, acusar e reconhecer alguns dos seus carcereiros e, agora, ajudar os
investigadores na caça ao feroz “general Alì”. Este é o chefe dos milicianos
que administram o forte nos confins do deserto e no qual são mantidos prisioneiros
centenas de migrantes, constrangidos a suportar torturas e violências atrozes para
que implorem às famílias mais dinheiro como resgate para a sua libertação.”
“Pela primeira vez,
uma fotografia, proveniente do Gueto de Alì, entra a fazer parte dos actos do
inquérito coordenado pelo procurador adjunto da DDA (Direcção Distrital Antimáfia)
de Palermo, Marzia Sabella, e entregue aos procuradores substitutos, Geri
Ferrara e Giorgia Spiri, o que já levou, há alguns meses, à individuação, em
dois centros de acolhimento italianos, dois dos carrascos do centro de
detenção, detidos e agora sob processo. “
“Num incidente
probatório, os sete migrantes que colaboram reconfirmaram as suas acusações em
relação aos seus carcereiros, apresentando provas chocantes, entre as quais as
fotos guardados nos seus telemóveis enviadas às famílias do que acontece dentro
daquele fortaleza inacessível, defendida por arame farpado e guardas armadas de
kalashnikov.
“
“E pela primeira vez
foi também foi apresentada uma descrição do misterioso general Alì: árabe, escuro,
cabelos compridos, manquejante e ombros descidos, nem jovem nem velho.
Habitaria numa vivenda na colina que domina o gueto, às portas da cidade de
Sabha. E agora, a Direcção Distrital de Palermo deu início à caça ao homem com
a colaboração dos serviços de segurança.”
“São dramáticos os
testemunhos dos sete migrantes sobreviventes que viram matar e estuprar,
mulheres e crianças morrer de fome e ser lançadas fora em sacos da imundície.
A abrir a estrada da
colaboração foi um jovem nigeriano: «No
meu país estudava direito e sei que a tortura é um crime reconhecido em todo o
mundo. Por este motivo, quando cheguei a Lampedusa, imediatamente decidi
denunciar tudo à polícia»” - de
Francesco Patanè e Alessandra Ziniti: La Stampa – 13 Novembro 2017
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É arrepiante ler e
imaginar o calvário desta pobre gente! E. aqui, o sentido de pobre refere-se à dureza
e amargura de dever emigrar; na maior parte dos casos, em busca de um futuro
mais prometedor
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