segunda-feira, março 18, 2013

DOIS MIL E TREZE:
O ANO DAS SURPRESAS

                                                          
 E ainda não saímos do primeiro trimestre! Oxalá que nos restantes duzentos e oitenta e sete dias o número 13 não dê importância aos supersticiosos e continue a fornecer-nos surpresas como a que nos reservou… precisamente, a do dia treze deste mês: um novo Papa, chamado Francisco como o Poverello de Assis, que arrebatou a atenção e o entusiasmo de crentes, descrentes e indiferentes. 

E se acontecer que Mário Relvas, por exemplo, ética e elegantemente se demitirá, também esta passará como uma excelente surpresa de 2013. Ética e elegantemente?!! Não pretendamos perfume de frutos apodrecidos. Falemos de coisas sérias e não divaguemos.

Tenho seguido com vivo interesse documentários, reportagens e editoriais sobre Jorge Mário Bergoglio (Bergolho). 
É um caudal imparável de notícias e opiniões. É óbvio que a sua biografia seria analisada sem reverências. Logo, as críticas e acusações sobre silêncios ou conivências durante o período da ditadura militar argentina (1976-1983) são várias e não se fizeram esperar; parece, no entanto, que provêm da mesma fonte

Os desmentidos, todavia, não são de menos e por pessoas que merecem credibilidade. O Nobel da Paz 1980, Adolfo Pérez Esquível, vítima do regime militar, disse claramente que “houve bispos que colaboraram com a ditadura, mas não Bergoglio”.
Apresentaram uma fotografia onde se mostrava o actual papa a dar a comunhão ao general Videla. Essa foto é um falso, pois comprovou-se que não se tratava de Bergoglio. Era necessário recorrer a tais meios?

Resumindo: ter visto Papa Francisco; ouvir os seus discursos e a singeleza como os exprime, preferindo a improvisação a textos preparados; notar a simplicidade não calculada como se apresentou, após a sua eleição a sumo pontífice, não creio que fosse capaz de acções com a gravidade que lhe imputam. Não as aceito.
Ademais, somente quem viveu sob uma ditadura tem uma percepção mais nítida de quão difícil e doloroso é o equilíbrio entre o que nos desagrada ou avilta e o que se pode fazer.

Há outras partes da sua biografia - e estas, sim, irrefutáveis – que aguçaram imediatamente a minha atenção. O novo papa Francisco é de origem piemontesa. Bisavós da zona de Asti – localidade Bricco Marmorito di Portacomaro. O pai, todavia, nasceu em Turim, um ponto a somar ao que já tanto me agradou.

Mas eis alguns pormenores que mais agudizaram o meu grande interesse pelo novo papa. A propósito, tenho a impressão que, futuramente, haverá muitos bebés baptizados com o nome de Jorge Mário.

Em primeiro lugar, aquele crucifixo de ferro ao peito impressionou-me fortemente. Nem pratas nem ouros nem quaisquer outros ornatos: simplesmente, uma cruz de ferro.
Não menos impressionante, pela sua modéstia, a brancura das vestes que preferiu. Quando quiseram colocar-lhe a clássica “mozzeta” vermelha e estola, emblema do poder, disse ao cardeal que lha estendia que a usasse ele.
Muito coerente, portanto, esta sua exclamação: Como desejaria uma Igreja pobre e para os pobres!

Em segundo lugar, o tom de voz calmo, natural e suave como expõe o seu pensamento, intercalando apartes que revelam sentido de humor e abstraindo-se, completamente, dos modos solenes, catedráticos e predicatórios sem alma nem paixão a que estávamos habituados.

Há outro particular que robusteceu ainda mais a minha simpatia. Foi amigo do ex-arcebispo de Milão, cardeal Carlo Maria Martini, falecido há meses e uma grande figura da Igreja Católica.
Oxalá que o Bispo de Roma, com a sua natural simplicidade que, repito, encanta crentes e descrentes, tenha a persistência e a força necessárias para iniciar as mudanças na Igreja, mas sobretudo na Cúria, que todos invocam e esperam.
Será uma tarefa muito dura, Santidade! A estrada a percorrer é íngreme e pedregosa. Mande colocar na vitrina o calçado vermelho protocolar e mantenha os sapatos pretos com que iniciou o seu pontificado, bem adaptados aos seus “pés chatos que sempre lhe doem” (informação da sua irmã). Verá como serão mais eficazes para desviar as víboras que por aí abundam.

2 Comments:

At 8:17 da tarde, Blogger Beatriz Correia said...

Sò a Alda para, em tão pouco tempo, ter um estudo tão pormenorizado do NOSSO PAPA. Estou absolutamente de acordo com tudo o que expõe.

 
At 5:42 da tarde, Blogger Alda M. Maia said...

Muito bem-vinda a estas paragens, gentil Senhora!
Só hoje vi o seu comentário. As minhas desculpas por responder-lhe com atraso.
Estou tão pouco habituada a que me leiam que é sempre uma surpresa - agradável, obviamente - ver um comentário.

Não estudei o Papa, Beatriz: a personalidade do Papa é que se impôs e captou totalmente a minha atenção.
Parece que não mudou de sapatos. Sempre mandou colocar na vitrina das recordações os sapatinhos vermelhos.

Um abraço e Páscoa com um bom cabrito aí das terras de Viseu
Alda

 

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