O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA NOS EUA
UMBERTO ECO NA SUA “BUSTINA DE MINERVA”
A “Bustina di Minerva” é uma rubrica que Umberto Eco escreve, quinzenalmente e desde 1985, na revista “L’Espresso”.
Segundo explicou, o título da rubrica deriva do nome da carteira de fósforos, Minerva, que traz sempre consigo para acender o cachimbo. Quando lhe surgem ideias para a sua rubrica, anota-as no que tem à mão: a carteira de fósforos.
Inútil dizer que são crónicas sempre interessantes e que, frequentemente, as leio com um sorriso divertido.
Em 2000, com o mesmo nome da rubrica, foi publicado um livro, precisamente “La Bustina di Minerva”, cujo tema é uma larga selecção desses artigos.
O seu editor chinês, com um certo espanto do autor, decidiu também publicar essa obra.
Na crónica de 09/11/2007 – "Mas que compreenderá o chinês?" - Umberto Eco alude às dificuldades que a tradutora encontrava perante referências a actualidades ocidentais, a citações de factos ou de personagens tipicamente italianos.
UMBERTO ECO NA SUA “BUSTINA DE MINERVA”
A “Bustina di Minerva” é uma rubrica que Umberto Eco escreve, quinzenalmente e desde 1985, na revista “L’Espresso”.
Segundo explicou, o título da rubrica deriva do nome da carteira de fósforos, Minerva, que traz sempre consigo para acender o cachimbo. Quando lhe surgem ideias para a sua rubrica, anota-as no que tem à mão: a carteira de fósforos.
Inútil dizer que são crónicas sempre interessantes e que, frequentemente, as leio com um sorriso divertido.
Em 2000, com o mesmo nome da rubrica, foi publicado um livro, precisamente “La Bustina di Minerva”, cujo tema é uma larga selecção desses artigos.
O seu editor chinês, com um certo espanto do autor, decidiu também publicar essa obra.
Na crónica de 09/11/2007 – "Mas que compreenderá o chinês?" - Umberto Eco alude às dificuldades que a tradutora encontrava perante referências a actualidades ocidentais, a citações de factos ou de personagens tipicamente italianos.
“Ler uma “Bustina” de há poucos anos, corre-se o risco de não reconhecer nomes ou situações. Imaginemos para um leitor chinês”.
O subtítulo do artigo é elucidativo: O facto que o meu editor chinês queira traduzir uma recolha de “Bustine” de 2000, testemunha uma realidade: há gente que deseja superar a divisão das culturas e compreender o que compreendem os outros”.
O artigo prossegue com outras considerações. O penúltimo parágrafo, todavia, redobrou a minha atenção e interesse.
“Na civilizadíssima França, de há pouco mais de cento e cinquenta anos, alguns académicos eram de tal modo nacionalistas ou ignaros (ou desinteressados) de outras culturas que não conseguiam imaginar que no mundo se falasse qualquer coisa de diverso do francês. Por outro lado, mais ou menos na mesma época, no Texas, um deputado opôs-se à introdução do ensino de línguas estrangeiras nas escolas, dizendo: "Se o inglês era suficiente para Nosso Senhor Jesus Cristo, será suficiente também para nós".
(…) O episódio recorda-nos que, durante séculos, as forças do etnocentrismo puseram filtros impenetráveis entre culturas diversas”.
****
Recentemente, a nossa corda patriota vibrou irritada, porque o Sr. Bush declarou que não entendia financiar o ensino da língua portuguesa nos estabelecimentos de ensino americanos, se não entendi mal.
Está-me cá a parecer que este nosso enfado demonstra soberba e presunção.
Se nas terras de língua portuguesa, a maioria é católica – mas será melhor usar o hiperónimo cristã; se no Texas – tinha de ser no Texas! – entendiam que a língua inglesa foi suficiente para Nosso Senhor Jesus Cristo, pergunta-se: que pretensões são as nossas?! Quem somos nós, faladores de dialectos latinos sem importância, perante o universal e venerável inglês de Jesus Cristo?
Haja humildade, assim diria o Prof. Vital Moreira!
Alda M. Maia
O subtítulo do artigo é elucidativo: O facto que o meu editor chinês queira traduzir uma recolha de “Bustine” de 2000, testemunha uma realidade: há gente que deseja superar a divisão das culturas e compreender o que compreendem os outros”.
O artigo prossegue com outras considerações. O penúltimo parágrafo, todavia, redobrou a minha atenção e interesse.
“Na civilizadíssima França, de há pouco mais de cento e cinquenta anos, alguns académicos eram de tal modo nacionalistas ou ignaros (ou desinteressados) de outras culturas que não conseguiam imaginar que no mundo se falasse qualquer coisa de diverso do francês. Por outro lado, mais ou menos na mesma época, no Texas, um deputado opôs-se à introdução do ensino de línguas estrangeiras nas escolas, dizendo: "Se o inglês era suficiente para Nosso Senhor Jesus Cristo, será suficiente também para nós".
(…) O episódio recorda-nos que, durante séculos, as forças do etnocentrismo puseram filtros impenetráveis entre culturas diversas”.
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Recentemente, a nossa corda patriota vibrou irritada, porque o Sr. Bush declarou que não entendia financiar o ensino da língua portuguesa nos estabelecimentos de ensino americanos, se não entendi mal.
Está-me cá a parecer que este nosso enfado demonstra soberba e presunção.
Se nas terras de língua portuguesa, a maioria é católica – mas será melhor usar o hiperónimo cristã; se no Texas – tinha de ser no Texas! – entendiam que a língua inglesa foi suficiente para Nosso Senhor Jesus Cristo, pergunta-se: que pretensões são as nossas?! Quem somos nós, faladores de dialectos latinos sem importância, perante o universal e venerável inglês de Jesus Cristo?
Haja humildade, assim diria o Prof. Vital Moreira!
Alda M. Maia

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