terça-feira, setembro 05, 2006

REPÚBLICA DOS PARECERES?

Falar apenas de pareceres é limitativo.

"Correio da Manhã" de hoje, dia 5 de Setembro:
“A despesa pública com a realização de estudos, pareceres e projectos de consultoria a entidades externas à Administração Pública (AP) deverá ascender, no final de 2006, a 77,7 milhões de euros”

O post que publiquei ontem, dia 4, se fosse publicado hoje, os meus cinco ou seis leitores diriam que fui buscar o argumento ao artigo do Correio da Manhã.
Mas antecipei-me.
Se eu fosse presunçosa ou não tivesse uma noção bem clara do que é um blogue como tantos, diria que foi o Correio da Manhã que fez eco ao meu post e me respondeu! Deixemo-nos de brincadeiras e vamos ao caso.

Quando o Dr. José Miguel Júdice propôs que o Estado deveria consultar os três maiores escritórios de advogados, um dos quais o dele, fiquei muito perplexa; melhor, fiquei escandalizada!
A Ordem dos Advogados processou-o, pois é-lhes proibida a publicidade.
Publicidade ou não, o que vi foi uma grande falta de estilo.
Mas, dado que no Orçamento do Estado entram tão generosos financiamentos, o Dr. Júdice apenas manifestou que o bolo também deveria ser repartido por certos escritórios de advogados; portanto, nada pretendeu de anormal!

Perguntas maliciosas (perguntar não ofende): por que razão só os escritórios de Lisboa?
Por que razão, desses grandes escritórios lisbonenses, há sempre elementos ligados à política, isto é, integrados na política? E quando já não estão na política activa, ingressam nesses grandes escritórios?

Ascender, tais despesas, a 77,7 milhões de euros é ainda pior do que eu imaginava!

Acabo com as palavras do Presidente do Sindicato dos Quadros técnicos do Estado (STE), Bettencourt Picanço, precisamente porque corroboram o que expressei no post de ontem:
“O que justifica este aumento da despesa pública é, na prática, a não utilização dos serviços da Administração Pública. O Governo utiliza outras entidades para fazer aquilo que cabia, e cabe, à Administração fazer. E, ao fazer isso, vai onerar cada vez mais o Orçamento do Estado”.
Alda M. Maia

3 Comments:

At 2:17 da manhã, Blogger asn said...

Pois é Alda.
Já não digo nada! Andamos nós aqui na blogosfera, descontraidamente a falar de coisas mais ou menos sérias, com mais ou menos aprumo literário, e até nos esquecemos que há jornalistas (se calhar eu faria o mesmo...)que vão aproveitando as nossas dicas para elaborar os seus artigos. Porque não?
A interacção entre a blogosfera e o jornalismo é, queiramos ou não, uma inevitabilidade. A partir do momento em que os blogues começam a reflectir um grande movimento da opinião pública torna-se extremamente prático utilizar as muitas informações/opiniões que aqui circulam. Quantas em primeira mão e fora do alcance imediato dos media.
Portanto, até pode acontecer que um jornal venha beber dessa informação/opinião aos nossos blogues, porque não?
Até breve...
António

 
At 10:22 da tarde, Blogger Alda M. Maia said...

Ciao, António!
O meu comentário a propósito da coincidência de o Correio da Manhã se ocupar de um tema sobre o qual eu tinha escrito no dia anterior, foi apenas uma brincadeira da minha parte. Para escrever um artigo daqueles, o autor teve de recolher dados com antecedência, como é óbvio.
E depois, eu nunca daria, a mim mesma, essa importância. Só mesmo brincando com o caso.
Mas que achei engraçado, achei!
Gostei de ler o seu comentário.
Até breve, então.
Alda

 
At 3:49 da manhã, Blogger aavozaida said...

Boa noite Alda
Eu não tinha qualquer intenção de vir aqui fazer um comentário muito "sério". Mas acho que posso falar consigo e desabafar um pouco.
Sei que o Sr. Primeiro Ministro, sempre que sai do país, leva consigo um médico e um enfermeiro. Segundo ouvi dizer faz até questão que se saiba que não é nenhum médico particular, mas um médico como qualquer cidadão português tem direto. Tudo bem! Perfeitamente e acordo.
Porém parece-me que as condições não são iguais para todos.
Há dias, como andava com bastantes dores na cabeça, resolvi nem esperar por um consulta do posto médico e fui a uma consulta particular. O médico é o nosso médico de família.Muito cuidadoso e simpático. Depois de me ter observado, concluiu que eu fizera uma ruptura num músculo que entra na cabeça. Nada de muito grave. Entretanto perguntou-me pelo meu braço direito. Tenho um problema no tendão que me provoca bastantes dores e por vezes perco a sensiblidade na mão. O médico achou por bem não adiar mais os exames complementares a uma possível operação. Como não são propriamente baratos disse-me para, no dia seguinte, ir ao posto médico que me passaria então as credenciais. Lá fui eu, paguei uma consulta (2,5€),pois as credenciais tinham que ser tiradas em computador.O pior foi quando tentei marcar os 3 exames. Em todos os lados a resposta era a mesma: aqueles exames não tinham qualquer comparticipaçao pelo regime geral. Custariam 80€ cada um.
Pergunto eu. Será o dinheiro dos meus descontos, que entrego religiosamente todos os meses, diferente do de outras entidades, nomeadamente políticos?
Mas deixemo-nos de tristezas, que elas não pagam dívidas, nem exames médicos.
Já lhe agradeci as suas simpáticas palavras no meu blog Mas nunca é de mais repetir o quanto é bom sabermos que há outros que nos comprendem, que partilham algum do nosso sentir e que o dizem abertamente, sem temerem que os achem, talvez, ridículos.
Ainda é um bocado a medo que eu vou fazendo os meus comentários. Mas se um dia "engreno"... ainda, cá em casa exijo um computador e uma internet só para mim!
Tenho uma surpresa para si, no meu blog. Espero que não leve a mal. Também precisamos de "brincar".
Um grande abraço
Zaida

 

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