Notícia lida há dias,
no jornal La Repubblica: “Madrid, é guerra ao manspreading: Proibido sentar-se com as pernas alargadas nos transporte públicos”.
É a recomendação, através
de um ícone, que a EMT - Empresa Transportes de Madrid – decidiu colocar nos
painéis informativos dos autocarros.
Fácil deduzir que o manspreading é um anglicismo que
classifica o comportamento grosseiro de certos homens quando se sentam com as
pernas escachadas como se o espaço disponível lhes pertencesse inteiramente e quem
está sentado ao lado que se arranje: invasores dos assentos públicos
Este neologismo foi
registado no dicionário de Oxford há cerca de dois anos, embora, como bem
acentua o jornal, classifique um comportamento que existe desde sempre e em
todos os países. Nenhum lugar para dúvidas!
A decisão acima
referida foi tomada pela Junta Municipal de Madrid, acolhendo o pedido das activistas
do grupo “Mulheres em luta e mães extenuadas”.
Esclareceram que nas
origens deste fenómeno não estaria apenas a falta de educação: “Dentro de um comportamento aparentemente
inócuo, aninha-se uma profunda questão de género: como as mulheres foram
habituadas, desde pequenas, a sentar-se com as pernas fechadas, aos homens foi
transmitida a ideia de hierarquia e territorialidade que os faz sentir
legitimados a ocupar o espaço dos outros como se fosse espaço próprio.
Colocar
um cartaz pode ser um ponto de partida para sensibilizar as pessoas e iniciar a
respeitar os espaços comuns”.
A campanha inundou o
Twitter e um grande número de utilizadores apoia a iniciativa: #Madridsinmanspreading»
- Madrid sem pernas escachadas
Abundaram as ironias e,
como seria inevitável, houve quem assinalasse o nome de altos políticos que, cometendo
a grosseria em causa, entram no elenco dos artistas da deselegância.
E a quem criticava a
campanha, uma senhora, no Twitter, respondeu da seguinte maneira: “Também nós
temos uma protuberância no corpo a que chamamos tetas. Mas não por isso devemos
andar na rua com os braços abertos”.
Como se vê, deu para
todos nesta curiosa polémica. E na dita polémica, ignoram-se os eufemismos. Torna-a
mais viva e divertida, efectivamente.
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