segunda-feira, agosto 22, 2011

RAZÕES POR QUE CRIAMOS UM BLOGUE


Partindo de uma troca de opiniões com o bom amigo, colega radioamador e autor do blogue “Dispersamente”, hoje quero escrever sobre a razão, ou razões, que nos entusiasma a criar um blogue e nele registarmos tudo aquilo de que desejamos falar, reflectindo ou espontaneamente.
E quase sempre, na reflexão que faz avolumar o que temos no pensamento, surgem aspectos que até aí se aninhavam no subconsciente e a que não dávamos grande centralidade. Escrevendo, realiza-se esse milagre.

Neste momento estou a recordar meu professor de Pedagogia e Psicologia, também director da “Escola do Magistério Primário” de Braga, o Dr. Olindo Casal Pelayo. A palavra subconsciente introduzia-a em quase todos as lições de psicologia que nos ministrava.
Pelos anos fora, quando esta palavra se me apresentava ou apresenta, imediatamente a associo ao Dr. Pelayo. E já lá vão tantos anos! Mas desviei-me do assunto. Continuemos.

Escrevendo no blogue, expandimo-nos sobre um determinado tema que mais captou o nosso interesse e atenção, sem o temor de sermos interrompidos. Não menos importante – mas talvez mais importante - frequentemente por falta de interlocutor que compartilhe das nossas curiosidades, opiniões ou, melhor ainda, que tenha o gosto da conversa, saiba ouvir, demonstre interesse e queira exprimir-se, mesmo que conteste abertamente o que afirmamos, o que dá mais sabor à conversa.

Tudo o que até aqui escrevi serviu para dizer, e como já confessei várias vezes, que uso o meu blogue para conversar… comigo mesma.

Há dias, reli o livro de Theodore Zeldin: “Elogio da Conversa”. É uma edição da Gradiva, 1.ª edição 2000, páginas 111. É interessantíssimo e lê-se num instante. Ademais, é enriquecido com ilustrações verdadeiramente originais.

Talvez a releitura deste livro e os comentários que troquei com o António (www.dispersamente.blogspot.com) me impelisse a escrever, hoje, sobre o prazer da conversa.

Tudo neste livro me agradou e nele encontrei eco ao que sempre pensei, embora subconscientemente. Theodore Zeldin (historiador e sociólogo inglês) abriu-me as portas e melhor soube compreender o quanto é agradável e utilmente significativa uma boa conversação.

Como tenho o “feio” vício de sublinhar a lápis, nos meus livros, todas as passagens que mais me agradam ou as que me merecem contestação, transcrevo alguns destes sublinhados, na página 92/94/95 de o “Elogio da Conversa”.

[…] A conversa sem pensamento é vazia. Se modificarmos a nossa maneira de pensar, estamos a meio caminho de modificar o mundo.

Encaro o pensamento como a reunião de ideias, as ideias a namorarem umas com as outras, a aprenderem a dançar e a abraçar-se. Aprecio isso como um prazer sensual. As ideias estão constantemente a navegar no cérebro, como os espermatozóides à procura do óvulo. O cérebro está cheio de ideias solitárias a suplicar-nos que as decifremos, que as consideremos interessantes. O cérebro preguiçoso arruma-as em velhos cacifos, como um burocrata que não quer ter maçadas. O espírito vivo extrai, selecciona e cria novas obras de arte a partir das ideias. […]

As ideias não precisam apenas de se encontrar, mas também de se abraçar […] Uma vez que a religião ainda continua a dominar a conversa em muitas partes do mundo, parece-me urgente e interessante pôr os crentes e os não crentes a conversar. […]

O último período do segundo parágrafo é reservado aos génios que, das ideias, criam obras de arte.
Aos banalíssimos mortais é-lhes oferecida a colheita de muitas sugestões com que possam vivificar os seus normalíssimos cérebros… se estes não são preguiçosos, obviamente.

2 Comments:

At 3:28 da manhã, Blogger as-nunes said...

Boa noite, Alda

Já aqui vim duas ou três vezes, sempre sem tempo para me demorar um pouco.

3 e meia da manhã. Ainda não é hoje.
É que este post merece toda a divulgação.
Muito interessante.
Obrigado pelas referências simpáticas que me faz e ao meu grande amigo e companheiro de vários momentos, "DISPERSAMENTE..."

Voltarei, uma abraço,
António

 
At 3:51 da tarde, Blogger Alda M. Maia said...

Boa tarde, António

E eu que pensava ser um raro exemplar que entende que as três da madrugada ainda é uma boa hora para acabar a leitura dos jornais!!

Um abraço e um beijinho à Zaida
Alda

 

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