domingo, agosto 01, 2010

HOMENAGEM A UM MOÇO CORAJOSO
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Hoje decidi pôr de lado todos aqueles temas que, normalmente, me arrastam para as habituais “conversas com o computador”.
Hoje quero falar de um corajoso estudante de medicina brasileiro.

Um triste fado – usemos a expressão muito lusitana, dolente e choramingueira – determinou o que o mesmo estudante narra no seu livro de fim de curso.

"Uma curva, uma carreta em sentido oposto, uma fracção de segundos. Em 22 de Março de 2008, um acidente automobilístico mostrou-me o quanto a efemeridade do tempo é responsável pelo valor inestimável da vida. Hoje, justamente eu, que conheço como poucos o tesouro escondido em cada instante vivido; logo eu, que durante meses precisei caminhar, como equilibrista principiante, por sobre a linha ténue que separa a vida da morte; exactamente eu lanço mão da armadura dos grandes guerreiros da vida. Torno-me médico". (…)

Mas completemos a história. O acidente foi sério e quase mortal. Salvou-o a casualidade de um amigo passar, precisamente naquele instante que decide a vitória da vida sobre a morte.
Imediatamente deu o alarme, sobrevieram os socorros tempestivos, o estudante salvou a vida. Porém, teve de pagar um pesado tributo ao maldito “triste fado”: tiveram de amputar-lhe uma perna.

Dada a juventude da personagem, dado que se trata de um mocinho bonito (mesmo que fosse feio, seria o mesmo), dado que os hábitos de uma juventude alegre e despreocupada sempre o caracterizaram, previa-se uma reacção destruidora de tais características.
Fácil imaginar o desespero de quem deve enfrentar, naquela idade, um novo estilo de vida a que uma inesperada minoração física conduz.

Fácil imaginar, sem dúvida. Todavia, neste caso, a imaginação que abandone concepções corriqueiramente previsíveis. O nosso estudante revirou o drama, deu-lhe a face do optimismo e enfrentou a nova modalidade de programar a existência diária com despreocupação e coragem.

Levou essa nova modalidade de vida a tal ponto que não cultivou inibições, pudores - ou até mesmo o que seria um normal sentido de vergonha - em fazer-se fotografar e mostrar claramente a amputação.
È uma imagem que provoca uma forte emoção e desconforto!

Não esmoreceu, continuou o seu curso de medicina na Universidade Federal da Bahia – apoiado sempre pela mãe e as duas irmãs - e, neste ano 2010, eis o Sr. Dr. Victor Augusto.

Em toda esta história com um fim que se pode dizer muito feliz, existe apenas uma circunstância que evoca saudades. Ao pai do nosso corajoso moço não lhe concedeu a vida o tempo necessário para festejar com o filho este final de que tanto se orgulharia. Testemunhou-o a mãe, e bem mereceu estes momentos de júbilo.
Alda M. Maia

9 Comments:

At 8:00 da tarde, Blogger Manuela Araújo said...

Olá D. Alda

Bela história de coragem e força. Parabéns e votos de sucesso ao personagem principal.

Beijinhos

 
At 1:13 da manhã, Blogger Zoedma Maia said...

Querida Tia Alda...Amada madrinha!

Ponho-me neste momento a chorar!
Lindo seu texto sobre Dr. Victor,o nosso Victinho.(rs)
Saiba que todos, inclusive voce, todos tiveram sua participacao para essa grande conquista!
AMO VOCE!
Beijinhos.

 
At 3:06 da tarde, Blogger Alda M. Maia said...

Viva, Manelinha!

Muito prazer de a "ler" por estas paragens.

Os seus parabéns e votos de sucesso, com certeza já foram lidos pela "personagem principal".
Como vê, uma das irmãs - Zoedma Alda - deu já sinal de presença.
E eu a pensar que, como de costume, tudo passaria em surdina!

Não tinha entendido bem a mecânica da premiação Green Blog Awards.
Já lá deixei o meu comentário.

Um beijinho e obrigada pelo seu comentário
Alda

 
At 3:25 da tarde, Blogger Alda M. Maia said...

Sra. Dona Zoedma Maia, minha ilustre afilhada e sobrinha.

Com que então o teu irmão aproveitou logo para te informar, a fim de que tu visses a sua bela efigie, agora num blogue!?

Mandei-lhe um e-mail com um grande abraço de parabéns. Como nunca gostei de lamechices nem para isso tenho jeito, se quisesse saber mais sobre o que penso, que viesse dar uma espreitadela a este sítio.

Espeo ler-te mais vezes, sua mandriona. No aspecto de comunicações, sois uma calamidade.

Um beijinho especial à tua filha e um grande, grande abraço para todos vós.
Alda

 
At 3:29 da tarde, Blogger as-nunes said...

Boa tarde, Alda

Continuo de volta dos papéis, não sei durante quanto mais tempo, mas, face a uma história tão intensa como a que contou no post, nem pode haver lugar para pieguices.

Uma contundente história de vida. Que possa ajudar outras pessoas. O personagem principal, a família e os amigos bem o merecem, pelos momentos que têm vivido.

Deduzo que o Dr. Victor seja seu familiar.
O acaso também fez com que uma das suas irmãs tivesse o nome algo invulgar de Zaida...(tal como a minha mulher).

Que a vida ainda venha a proporcionar muitos momentos de felicidade a todos, intervenientes ou não nesta teia do destino.

Um grande abraço extensivo a toda a família.

António

 
At 5:18 da tarde, Blogger Alda M. Maia said...

Boa tarde, António

Como tem passado, com este calor infernal? Ainda não abandonou, de vez, os assuntos profissionais?! Há sempre algo em suspenso.

Antes de mais, agradeço o que escreveu e a sua presença aqui.
Efectivamente, o Vítor é o filho mais novo de um irmão que viveu e morreu na Baía.
Quando me decidi a escrever este post, procurei não cair em fáceis sentimentalismos e, portanto, evitei aludir a laços familiares. Não reparei, porém, que no alto da foto estava o apelido Maia e a dedução era óbvia, com a ajuda do comentário da irmã Zoedma.

O nome Zaida, como em tempos o informei, já vem de uma tia materna. O meu irmão transmitiu-o à filha mais velha. E fez bem, porque é um nome que sempre achei bonito.

Um grande abraço e um beijinho à sua Zaida
Alda

 
At 10:26 da manhã, Blogger as-nunes said...

Bom dia, Alda

Ainda a propósito do nome Zaida.

Como já sabe, dos nossos encontros por esta via da Net, a "minha" Zaida é a "minha" mulher/esposa.
Quando me tenho que referir à Zaida (minha "esposa", não gosto desta palavra, o problema é que também não gosto da expressão "minha mulher"), fico invariavelmente neste dilema: Zaida, Zaida minha mulher, Zaida minha esposa.
Sempre que posso trato-a por Zaida, simplesmente.

A questão da profissão. Sabe que a profissão de TOC é, em principal instância, exercida em regime liberal. Eu, ao longo da minha já longa carreira, consegui conciliar o trabalho por conta de outrem em regime de tempo flexível e liberal/independente. Ora, acontece que me reformei (do trabalho também) da minha actividade por conta de outrem, mas ainda não da actividade liberal.
De permeio, temos a questão da actual famigerada fórmula de cálculo das pensões de reforma, que muita gente nem se apercebeu ainda dos danos psíquicos e materiais que vai causar à maior parte dos que estão a entrar nesta fase.
A Zaida, então, foi apanhada e de que maneira, neste turbilhão infernal. Acresce ainda que quer a Zaida quer eu, acumulámos tempo na função pública (nos nossos primeiros anos de trabalho)e não sabemos quando é que esse tempo (que ainda é significativo) será considerado para efeitos da pensão unificada. Coisas que não se percebem...Dois sistemas, um Povo, muitos privilegiados, muitíssimos mais esquecidos...
Ainda hei-de fazer um post sobre esta questão, na parte técnica do cálculo das actuais pensões de reforma (É de assustar o mais valente!).

Peço desculpa por este desabafo!...

Um abraço de muita estima e consideração
António

 
At 6:10 da tarde, Blogger Alda M. Maia said...

Viva, António!

Achei graça às suas considerações sobre “minha esposa” / “minha mulher”.
Esqueceu outras variantes muito próprias cá do Norte: “a minha patroa” / “a minha senhora”. Ou então: “Cá a patroa”. Qual prefere?

Como Zaidas há poucas, efectivamente basta o nome.
Sempre a propósito deste nome, nunca perguntei aos meus avós onde se inspiraram.

Reformar-se da actividade liberal, não penso seja muito fácil, pois há sempre empenhos que desejamos respeitar, além das naturais ligações a uma longa profissão.
Em segundo lugar, está ainda muito novinho para arrumar a sua experiência e seria uma pena se assim o fizesse. De incompetentes há que chegue e sobre, não acha? Logo, continue, porque experiências dessas são úteis ao meio onde se praticam e ao País. E não é retórica.

Sobre os novos sistemas de reformas, procurei seguir este assunto e perdi-me. E perde-se também quem deseja orientar-se e não encontra a estrela polar.

Efectivamente, este é um óptimo tema para um post e que será útil a tantas outras pessoas que enfrentam o mesmo problema.
Um abraço e um beijinho à Zaida
Alda

 
At 11:19 da tarde, Blogger ACO said...

Gosto sempre destas lições de vida!
Dão-nos força para enfrentar dificuldades bem menores.
António Cândido

 

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