segunda-feira, abril 16, 2007

É ISTO BOM JORNALISMO?

Com o processo aos títulos académicos do primeiro-ministro, o jornal "Público" aonde quis ou quer chegar? Todos os itens foram já publicados ou ainda continuarão nos próximos dias?
Haverá mais requisitórias ou o "Público" acha que ainda não esgotou a matéria?

Recuso-me a entrar no mérito da questão. Aliás, mesmo que quisesse exprimir um juízo, o tema foi apresentado numa forma de tal modo prolixa, baralhada e inquisitorial que perdi o interesse em procurar uma síntese objectiva. Aliás, precisamente pelas características atrás apontadas, penso seja tarefa árdua.

A minha atenção, pelo contrário, foi atraída para a estranheza deste género de inquérito jornalístico.

Normalmente, quando um jornal decide publicar um serviço de inquérito sério e bem organizado – quer na recolha de material, quer na irrefutabilidade dos argumentos – a assinar esse serviço serão um ou dois jornalistas.
O inquérito parte de um conhecimento directo dos factos e a tempestividade em publicá-lo - repito, sempre estribado em argumentos claros e bem definidos – constitui uma das qualidades do artigo ou artigos que o exprimem.

Se não se trata de um serviço jornalístico com finalidades instrumentais, publicam-se os textos necessários para a compreensão e clareza do caso. Penso seja este o aspecto nobre de um bom jornalismo e, ao fim e ao cabo, um serviço de utilidade pública.
Certamente que se investiga e escreve sobre eventos de uma consistência digna de atenção.

É desde o dia 22 de Março, se não estou errada, que o jornal "Público" não pára de “informar” os seus leitores sobre a licenciatura / não licenciatura em Engenharia do nosso Primeiro-Ministro, reforçando tais informações com editoriais do director e director adjunto; pareceres e artigos ad hoc dos vários “opinionistas” do citado jornal - bem poucos se eximiram.

O jornal dedicou-se a esta causa - de importância primária para a administração do país, como é óbvio!... - e, diariamente, proporciona-nos a dose de revelações sobre datas, exames, reitores, professores, matrícula na Universidade Lusíada que Sócrates nunca frequentara (muito pertinente este facto!...), as notas que tirou … também investigaram se usava gravata quando comparecia nas aulas? Enfim, a formação académica de José Sócrates é vasculhada de cabo a rabo.
No dia 12 deste mês, então, o caso ocupou cinco páginas!

Qual a fonte que deu origem a este furor informativo? O trabalho de uma equipa de jornalistas do "Público" Não, valha-nos Deus! Pura e simplesmente, um blogue, onde leram, em 2005, que havia trapalhada nos títulos académicos de José Sócrates!

O caso permanece em incubação e, passados dois anos, fiat lux!

Em vez de luz, todavia, parece que se deu lugar a uma forte névoa.

Perante a insistência (dir-se-ia mesmo animosidade) do "Público" e, por arrastamento, do "Expresso", debates televisivos e inundações opinativas na blogosfera, só pergunto se não se perdeu o sentido do equilíbrio e do bom senso.

Uma observação: de permeio, houve espaço para a nota quase cómica. Não faltaram os queixumes contra as pressões, sobre os jornalistas, por parte dos assessores do primeiro-ministro.
Pobres virgens inocentes que tiveram de repelir tais assaltos!...
Como se não se soubesse que entre jornalistas e políticos existe uma espécie de simbiose! Ademais, no mundo da imprensa, sempre se tomou em linha de conta as tentativas de “persuasões”, por vezes arrogantes, da política e a arte de com elas lidar.

É oportuno dizer que José Sócrates deveria procurar rodear-se de conselheiros mais bem preparados e encarar os reveses com lealdade, tempestividade e transparência.

Volto à pergunta inicial: aonde quer chegar o "Público" com esta campanha? Sim, porque a todo este cancan não podemos chamar investigação objectiva, bem estruturada e dotada daquela sobriedade e rigor que um inquérito sério exigiria e que os leitores apreciariam.

Não sendo assim, qual a finalidade de tanta insistência em expor o primeiro-ministro a ataques contínuos, numa questão de foro pessoal, que em nada prejudicou o País? Por que razão pôs de lado normas de ponderação e equilíbrio? E porquê agora?!

Se é intempestivo quanto ao conhecimento dos factos, quis escolher este momento, para fragilizar o primeiro-ministro, a poucos meses da Presidência da UE?
O director do "Público" não toma em consideração que também o seu jornal pode sair fragilizado? E que, mercê do caso Sócrates, mina a credibilidade do jornal que dirige?
Quid prodest?
Alda M. Maia

4 Comments:

At 1:45 da tarde, Blogger neca eira said...

Isto não tem nada que saber. Quem está a ser escrutinado é um 1º ministro e não um jornal. Ao que se vê, o dito 1º é um alto vigarista. Rua com ele! Quero lá saber se é por via dum jornal, ou não!. Aliás as pessoas deviam ficar contentes por poderem exprimir as suas opiniões, ainda que longas, nesse jornal. Coisa que não se vê em jornais que aparentemente apoiam a "fraude", digo, "fraude", digo "fraude", digo "fruade", para quem não ouve ou não quwer ouvir, pelo menos ler. Xáu.

 
At 12:04 da manhã, Blogger Alda M. Maia said...

Confirmo e insisto na minha opinião negativa sobre este género de jornalismo.
Eu, pelo contrário, quis "escrutinar" (usando o seu termo) o comportamento de um jornal que se pretende de referência e que, ao fim e ao cabo, quis imitar o estilo dos piores tablóides. Decididamente, acho desprezível este modo de conduzir o tal escrutínio, seja lá quem for a personagem escrutinada.
Quanto a essa personagem, o mesmo jornal teria obtido o agrado dos seus leitores - e talvez o resultado que se propõe obter - se tivesse tido o discernimento e seriedade de apresentar as próprias investigações com a classe e o rigor dos grandes jornais. Infelizmente, deu provas de que está muito longe de ser um grande jornal!

"Ao que se vê...": mesmo que se visse, é sempre aconselhável medir as palavras!
Não se deixe transportar pelo furor das suas antipatias.
Ciao

 
At 11:38 da manhã, Blogger neca eira said...

Felizmente que cada cidadão só vale um (um) voto! Adeus!

 
At 2:58 da tarde, Blogger Alda M. Maia said...

Suponha que poderia dispor de uma urna cheia de votos, por exemplo. Iria tudo raso, diante de si!!

Mas diga-me cá uma coisa: o que quis dizer verdadeiramente com a frase: "felizmente que cada cidadão só vale um voto"?

E agora imagine os "Neca Eira", que em tudo põem o máximo da carga de sentimentos e da boquinha e decisões deixam sair tudo o que lhes rói a alma: mesmo que dispusessem de mil votos, cada um, acha que
bastariam para lhes apagar essa raiva interior?
A rivederci

 

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